Se escrevesse uma letra
Sobre a vida nua e crua
Nenhuma inspiração vencia
O frio que para na rua
Escrevo, então, versos simples
Sem qualquer mote ou refrão
Palavras soltas e livres
Sem correntes nem patrão
É demasiado tarde
Para acordar,
recordar
O sentir
e o existir
Olha a vida pela lente
que tudo assim é magia
tudo muda e de repende
o sonho não larga o dia
dou-te a mão num mundo louco
que só nos o entendemos
em que a dor descansa um pouco
e o real é o que queremos
A beleza é a nossa musa
e há-de ser sempre assim
procurar a fantasia
numa aventura sem fim
A desilusão é um tabu
Que tentamos esquecer
A esperança, a essência
Que perfuma o viver
Ergo agora a bandeira
Com as cores da nossa voz
Pinto a vida à tua volta
E não a desprendo de nós
Posso até esquecer nomes
Ou coisas que vivi
Mas esquecer-te é impossível
Era esquecer-me de mim
É demasiado tarde
Para acordar,
recordar
O sentir
e o existir
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