Porque eu me lembro dele, porque lhe comprei cromos e porque é um cromo fixe!!!
“Está rodeado de miúdos e é difícil perceber quem está mais entusiasmado: se as crianças, se ele. Henrique Pinto tem 39 anos e nas mãos a felicidade. Ali, naquele molho, hão-de estar os cromos mais difíceis de encontrar e que ainda faltam nas cadernetas dos putos. Eles olham-se fixamente para as mãos, ele sorri com a ansiedade deles. Sabe como se sentem. Sabe tão bem como se sentem.
Henrique faz colecções de cromos desde que se conhece. E um dia, tinha uns 20 anos, começou a vende-los na baixa, ali mesmo onde ainda está hoje, à porta da Estação do Rossio. “Percebi logo que era um negócio que rendia alguma coisa… e rende. Mas é mais do que isso. Adoro ver o brilho nos olhos dos miúdos quando lhes arranjo o ultimo cromo, aquele por que esperam há tanto tempo. Por minha causa completam a caderneta, fecham aquele assunto e podem passar ao próximo”. O Cromo dos Cromos será, então, finalizador de tarefas, um especialista em acabamentos, um ponto final paragrafo.
O Vendedor vende cada cromo a 25 cêntimos. Se o assunto não for compra mas troca, o negócio é “Quatro em troca de um”. Claro que aqui há segredos. “Há números que são mais difíceis de arranjar. E esses saiem mais caro.” O valor destas raridades podem atingir fica, também ele, em segredo. “Aqui o meu colega zanga-se comigo se lhe falo de dinheiro. Não posso. Digo-lhe só que um, em 1991, um pai deu-me dois contos por um cromo que era o emblema da Ferrari. Queria mesmo acabar a colecção do miúdo e não encontrava aquele cromo em lado nenhum. Há negócios muito bons… Havia aqui há uns anos uma caderneta das bandeiras de todos os países do mundo. A mais difícil era a bandeira do Mónaco. Vendi esse cromo por bom dinheiro… e mais não digo.”
In Time Out Lisboa
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