Olha lá fora,
Diz-me o que vês
Se o Sol ainda brilha,
Só mais uma vez
Faz dos teus, os meus olhos,
Pois já nao consigo ver,
Morte Ingrata,
Deixa-me viver...
Promessas perdidas
Entre sonhos irreais
Dores bem profundas
Rasgos sentimentais
a minha vida veste de negro
A cor da dor de sofrer,
Morte Ingrata,
Deixa-me viver...
quarta-feira, 15 de abril de 2009
Palavras d'alguem!
Um dia li nas palavras duma nova amiga:
"Nunca se esqueçam que existem 4 coisas na vida que não se recuperam:
A pedra - quando atirada;
A palavra - depois de proferida;
A ocasião - depois de perdida;
O tempo - depois de passado"
Bem haja a ti!
"Nunca se esqueçam que existem 4 coisas na vida que não se recuperam:
A pedra - quando atirada;
A palavra - depois de proferida;
A ocasião - depois de perdida;
O tempo - depois de passado"
Bem haja a ti!
Ode que eu te faço
Adormeço assim numa carta de amor
entre a caneta e um pensamento,
meus dedos são gastos fosforos de dor,
se ainda teu rosto não queimo de cor,
nas letras acesas do meu alimento
Pesadelos há, na escuridão do meu traço
mais acordares no terno papel
e no arranhado senil do aparo em aço
que já flui na Ode que eu te faço
que selou no açucar, caligrafia do fel!!!
entre a caneta e um pensamento,
meus dedos são gastos fosforos de dor,
se ainda teu rosto não queimo de cor,
nas letras acesas do meu alimento
Pesadelos há, na escuridão do meu traço
mais acordares no terno papel
e no arranhado senil do aparo em aço
que já flui na Ode que eu te faço
que selou no açucar, caligrafia do fel!!!
Demasiado Tarde
Se escrevesse uma letra
Sobre a vida nua e crua
Nenhuma inspiração vencia
O frio que para na rua
Escrevo, então, versos simples
Sem qualquer mote ou refrão
Palavras soltas e livres
Sem correntes nem patrão
É demasiado tarde
Para acordar,
recordar
O sentir
e o existir
Olha a vida pela lente
que tudo assim é magia
tudo muda e de repende
o sonho não larga o dia
dou-te a mão num mundo louco
que só nos o entendemos
em que a dor descansa um pouco
e o real é o que queremos
A beleza é a nossa musa
e há-de ser sempre assim
procurar a fantasia
numa aventura sem fim
A desilusão é um tabu
Que tentamos esquecer
A esperança, a essência
Que perfuma o viver
Ergo agora a bandeira
Com as cores da nossa voz
Pinto a vida à tua volta
E não a desprendo de nós
Posso até esquecer nomes
Ou coisas que vivi
Mas esquecer-te é impossível
Era esquecer-me de mim
É demasiado tarde
Para acordar,
recordar
O sentir
e o existir
Sobre a vida nua e crua
Nenhuma inspiração vencia
O frio que para na rua
Escrevo, então, versos simples
Sem qualquer mote ou refrão
Palavras soltas e livres
Sem correntes nem patrão
É demasiado tarde
Para acordar,
recordar
O sentir
e o existir
Olha a vida pela lente
que tudo assim é magia
tudo muda e de repende
o sonho não larga o dia
dou-te a mão num mundo louco
que só nos o entendemos
em que a dor descansa um pouco
e o real é o que queremos
A beleza é a nossa musa
e há-de ser sempre assim
procurar a fantasia
numa aventura sem fim
A desilusão é um tabu
Que tentamos esquecer
A esperança, a essência
Que perfuma o viver
Ergo agora a bandeira
Com as cores da nossa voz
Pinto a vida à tua volta
E não a desprendo de nós
Posso até esquecer nomes
Ou coisas que vivi
Mas esquecer-te é impossível
Era esquecer-me de mim
É demasiado tarde
Para acordar,
recordar
O sentir
e o existir
domingo, 12 de abril de 2009
Parabens Sister :)
Olhem para a foto…Vá, não parem de olhar… continuem… este sorriso é contagiante, não é?
O olhar poderoso de quem não tem medo de nada, de quem vive e revive e não perde pitada de sua vida. Pioneira, Aventureira, Corajosa, Directa, Energética, Competitiva, Dinâmica, Ousada, Impulsiva, Audaz, Independente. Olhar de quem defende que as emoções são cavalos selvagens e que a cada dia que passa nos estamos a tornar nuns atrasados emocionais, cobardes e egoísta.
Nas palavras de Pessoa se define, “Eu tenho ideias e razões, conheço a cor dos argumentos e nunca chego aos corações”.
Hoje, deixei a minha veia de escritor nas calças, pois não tenho palavras para dizer o que esta "pikena" significa para mim. Todas aquelas horas de solidão em que me acompanhou com as suas palavras, a sua incrivel capacidade de escrever o que sente, essa sua maravilhosa forma de ser.
Parabéns Ariana, não só pelo Aniversário, mas sim pela pessoa que te tornaste e principalmente aquilo que me tornaste com essa tua linda maneira de viver.
Eternamente irmãos...
(a musica não tem o teu nome, mas tu percebes o sentido da coisa)
quinta-feira, 9 de abril de 2009
O CROMO DOS CROMOS DO ROSSIO
Porque eu me lembro dele, porque lhe comprei cromos e porque é um cromo fixe!!!
“Está rodeado de miúdos e é difícil perceber quem está mais entusiasmado: se as crianças, se ele. Henrique Pinto tem 39 anos e nas mãos a felicidade. Ali, naquele molho, hão-de estar os cromos mais difíceis de encontrar e que ainda faltam nas cadernetas dos putos. Eles olham-se fixamente para as mãos, ele sorri com a ansiedade deles. Sabe como se sentem. Sabe tão bem como se sentem.
Henrique faz colecções de cromos desde que se conhece. E um dia, tinha uns 20 anos, começou a vende-los na baixa, ali mesmo onde ainda está hoje, à porta da Estação do Rossio. “Percebi logo que era um negócio que rendia alguma coisa… e rende. Mas é mais do que isso. Adoro ver o brilho nos olhos dos miúdos quando lhes arranjo o ultimo cromo, aquele por que esperam há tanto tempo. Por minha causa completam a caderneta, fecham aquele assunto e podem passar ao próximo”. O Cromo dos Cromos será, então, finalizador de tarefas, um especialista em acabamentos, um ponto final paragrafo.
O Vendedor vende cada cromo a 25 cêntimos. Se o assunto não for compra mas troca, o negócio é “Quatro em troca de um”. Claro que aqui há segredos. “Há números que são mais difíceis de arranjar. E esses saiem mais caro.” O valor destas raridades podem atingir fica, também ele, em segredo. “Aqui o meu colega zanga-se comigo se lhe falo de dinheiro. Não posso. Digo-lhe só que um, em 1991, um pai deu-me dois contos por um cromo que era o emblema da Ferrari. Queria mesmo acabar a colecção do miúdo e não encontrava aquele cromo em lado nenhum. Há negócios muito bons… Havia aqui há uns anos uma caderneta das bandeiras de todos os países do mundo. A mais difícil era a bandeira do Mónaco. Vendi esse cromo por bom dinheiro… e mais não digo.”
In Time Out Lisboa
“Está rodeado de miúdos e é difícil perceber quem está mais entusiasmado: se as crianças, se ele. Henrique Pinto tem 39 anos e nas mãos a felicidade. Ali, naquele molho, hão-de estar os cromos mais difíceis de encontrar e que ainda faltam nas cadernetas dos putos. Eles olham-se fixamente para as mãos, ele sorri com a ansiedade deles. Sabe como se sentem. Sabe tão bem como se sentem.
Henrique faz colecções de cromos desde que se conhece. E um dia, tinha uns 20 anos, começou a vende-los na baixa, ali mesmo onde ainda está hoje, à porta da Estação do Rossio. “Percebi logo que era um negócio que rendia alguma coisa… e rende. Mas é mais do que isso. Adoro ver o brilho nos olhos dos miúdos quando lhes arranjo o ultimo cromo, aquele por que esperam há tanto tempo. Por minha causa completam a caderneta, fecham aquele assunto e podem passar ao próximo”. O Cromo dos Cromos será, então, finalizador de tarefas, um especialista em acabamentos, um ponto final paragrafo.
O Vendedor vende cada cromo a 25 cêntimos. Se o assunto não for compra mas troca, o negócio é “Quatro em troca de um”. Claro que aqui há segredos. “Há números que são mais difíceis de arranjar. E esses saiem mais caro.” O valor destas raridades podem atingir fica, também ele, em segredo. “Aqui o meu colega zanga-se comigo se lhe falo de dinheiro. Não posso. Digo-lhe só que um, em 1991, um pai deu-me dois contos por um cromo que era o emblema da Ferrari. Queria mesmo acabar a colecção do miúdo e não encontrava aquele cromo em lado nenhum. Há negócios muito bons… Havia aqui há uns anos uma caderneta das bandeiras de todos os países do mundo. A mais difícil era a bandeira do Mónaco. Vendi esse cromo por bom dinheiro… e mais não digo.”
In Time Out Lisboa
terça-feira, 31 de março de 2009
Parábola de Sócrates e do Escravo Ninoligolepis em Redor de Certo Problema Vulgarmente Remetido para as Calendas Gregas
Numa soalheira e primaveril tarde de domingo, daquelas em que na primitiva e felicíssima democracia ateniense ninguém trabalhava (excepção clara a feita a todos os escravos e alguns outros, coitados, acidentados por terem sido tornados “a-cidadãos”), Sócrates, o filósofo ele mesmo, nem pré-socrático, nem tão pouco pós-socrático, mas sim e só socrático ele próprio, deambulava pensativo, nada dado ao esforço físico, tal como era seu (e de tantos outros) velho e gordo costume.
Pensava os números; não em formatos banais, tal como faria o mais comum dos mortais ao deslocar-se ao mercado, à mercearia, aos jogos em Olímpia ou à carpintaria. Pensava os números só pelos números: algarismos, algoritmos, estranhos quadrados com raízes, catetos de hipotenusas, enfim, contava as pérolas de ostras dos porcos ou cabeças de outras criaturas, magros minotauros, sagitários ou medusas. Tudo lá no alto, bem lá no cimo, onde só imperam as ideias, sendo o restante uma brincadeira de miúdos, sacanagens da canalha ou desvarios dos já graúdos.
Contudo, de raros tempos a tempos pouco usuais, lá o pensador se quedava de abandonar o ideal copo de cicuta que tomava logo pela ideia de manhã, para se fazer representar através da desgostosidade do seu porco corpo imundo ao mundo dos ainda mais imundos, pelo menos na sua porcaria de ideia ou, antes se diga, ideia de porcaria.
Assim, seguro e natural, se foi acercando lentamente de um daqueles “a-cidadãos” que o não viam nunca ou que, pelo menos e melhor, tinham vontades e razões para o não quererem ver e ganas diversas de o pontapear, com o básico intuito de se bater por uma nova ideia, e dizendo-lhe de rajada:
- Ouve lá, ó escravo imundo, ó rato foribundo, ó fruto nauseabundo desta democracia abissal; se eu te pedisse um número, um simplessíssimo número, começarias por que número, hã, por qual ?
Distraído com os seus afazeres, e por se encontrar de costas também, respondeu o escravo Ninoligolepis de Mileto com algum desdém:
- Se parares de falar em verso, de rima pobre e métrica curta, e pudermos ter uma conversa normal como o fazem as pessoas normais, será então normal que eu te queira e possa responder.
- Combinado! - disse Sócrates, enquanto esfregava já as mãos de grande contentamento e aprestando-se para repetir a pertinente questão:
- Por que número começas a contar?
- Por um - respondeu o escravo, abanando a cabeça em sinal de reprovação e revirando os olhos de aborrecimento.
- E se tiveres de contar dez objectos, em que número terminas a contagem? - continuou o filósofo das ideias.
- Depende. - disse trocista o escravo Ninoligolepis - São objectos reais na tua representação ideal, ou objectos ideais na minha representação real?
Agarrando suas longas barbas (essas que ninguém garante que não as tenha nunca deixado crescer) com ambas as mãos e começando a fazer pequenas tranças como forma de disfarçar o seu indisfarçável nervosismo, Sócrates sussurrou pausadamente ao ouvido do seu "não-concidadão":
- Se não respondes sem rodeios às perguntas que te estou a fazer, vais de Olímpia a Maratona sempre a bom correr, até que te saiam os pulmões pelos nós dos dedos dos pés, porque aqui na Grécia tudo pode acontecer.
- Ai isso não, mestre, isso é que não. - implorou temeroso o pobre escravo - que são quarenta e dois mil cento e sessenta e tal metros de grande sofrer. Peço-te! Bombardeia-me de novo com a tua preciosa questão.
Então, mais satisfeito, o filósofo repetiu:
- Se tiveres de contar dez objectos, em que numero terminas a contagem?
- Em dez. - disse Ninoligolépis com rápido cálculo mental.
- E se tiveres de contar cem objectos, em que número terminas a contagem? - perguntou de novo Sócrates semicerrando a pálpebra do olho direito, desviando ligeiramente a cabeça para o seu ombro esquerdo, ao mesmo tempo que impunha à boca um sorriso carregado de exagerada auto-estima e convencimento.
O bom escravo começava a impacientar-se mas, face à inumana ameaça do Mestre, lá acabou por responder:
- Em cem, mestre. Em cem.
Na cabeça de Sócrates iniciavam-se estranhos pensamentos respeitantes a tanta sabedoria contida na ideia de um escravo só, especialmente porque de um escravo fazedor de sandálias se tratava. Eram considerados os melhores trabalhadores mas também aqueles que padeciam de mais dores e dos piores odores. Horrores. Os cheiros dos suores nos cabedais enleados, as mãos calejadas e os cabelos empastados. Uns verdadeiros mal- -amados. Mas mais ainda havia de estranhar quando o escravo se lhe antecipou dizendo:
- E se eu continuar para poder contar outros cem objectos, irei prosseguir a contagem com o número cento e um, que é uma das mais belas e conhecidas capicuas.
- Ca-pi-cu-a! - silabou pausadamente o Filósofo de Atenas enquanto cofiava suas barbas e bigodes (essas que ninguém garante que não as tenha nunca deixado crescer). - Uma capicua - repetiu atónito.
Ainda rarefeito da incrível surpresa, Sócrates resolveu continuar a arreliar a mente do escravo, embora se encontrasse agora bastante renitente face à pré-concebida superioridade sentida sobre este. Resolveu, então, avançar para algarismos mais complexos, perguntando-lhe:
- Nino, - como carinhosamente gostava de chamar ao seu súbdito, quando se encontrava bem disposto ou mal disposto, variando apenas a entoação da melosidade para a ironia - Nino, em que número terminarias a dita contagem iniciada nessa lindíssima capicua de que ainda agora me falaste?
- Em duzentos ! - disse o escravo com prontidão.
Sócrates já transpirava. Ora suores frios, outras vezes chorava arrepios. Mas muito teimoso, como era de sua personalidade, resolvera não desarmar, continuando:
- Diz-me lá, se fores capaz, quantos anos tem um milénio ou dois deles juntos num conjunto?
O grego considerado socialmente de categoria menor, mas muito sábio, mantinha-se impávido e sereno, apenas exteriormente; na profundeza das suas vísceras, lá pelos espaços viscerais (e por estar a fazer saltar dos eixos todo o idealismo socrático), rejubilava. Sentia todos os outros astros que já se ouvia dizer rodarem em torno do Sol e de si mesmos, a pulularem em alvoroço dentro do seu peito e mente. Desta cósmica euforia interior, exteriorizou com facilidade a resposta a seu amo:
- Como o nome o indica, um milénio tem mil anos. Um conjunto de dois milénios, que consiste em mil mais mil anos ou mil anos vezes dois, é um conjunto de dois mil anos.
Baralhado, Sócrates encontrou apenas forças para questionar Ninoligolépis sobre em que ano se iniciaria o terceiro milénio. Já desfalecia quando, assistindo à subida triunfal para cima da mesa e ao pontapé (digno de um Eusébio) no alguidar das borras de café por parte do escravo, que comemorava assim de forma exuberante a vitória neste concurso de sabedoria, ouviu da boca deste a resposta inesperada e cantada em estilo musical Broadway:
- Em dois mil e ummmmmmmmmmmm !
Subitamente, nas costas de ambos os gregos, ouviu-se uma voz de homem, fina, introvertida, que roçava a timidez, mas apostando apaixonadamente desde logo:
- Dois mil e um, uma odisseia no espaço!
A estranha observação era proferida por Albert Einstein, físico do século vinte, laureado com o prémio Nobel dessa mesma categoria e que havia teorizado depois de muito pensar, a curvatura espacio-temporal que nos levaria a mais uma dimensão: dessas que nós comuns mortais, nunca imaginaríamos poder existir.
Posto isto, e perante a estúpida estupefacção de Sócrates, escravo das ideias e Ninoligolépis, amo das suas próprias mãos, Albert deitou a língua de fora, num momento que fotograficamente haveria de correr este mundo e os outros, apesar de a câmara fotográfica ainda não ter sido descoberta por esta altura dos campeonatos, ou melhor dizendo, das olimpíadas, ripostando:
- Estranhariam, vocês, meus pobres e caros colegas, devotados ao exercício da razão e das ideias, se como eu possuíssem a faculdade de no tempo viajar. - e aqui sentou-se e pediu aos seus compinchas que também o fizessem, para logo continuar - Veriam estranhos acontecimentos, diabólicos eventos, irracionalidades para atingir intentos; através da televisão, a vistosa comemoração, do novo milénio a chegada ou não.
Sem compreenderem bem as equações em verso e número do Alemão, reclamaram-lhe em coro, grego, caídos de queixo tocando o peito e de baba escorrendo ao umbigo:
- Explica-te melhor, ó sábio amigo, porque nos sentimos muito pequenos perante a intemporalidade da tua sabedoria.
E Einstein, com palavras mansas e de compaixão, explicou:
- Lá no ainda tão distante século vinte, em nome de uma macabra e animalesca audiência televisiva, a chegada do terceiro milénio será comemorada com um ano de antecedência. O povo comemorará, saltando em danças e lambanças, com mais vigor do que nunca e sem se aperceber que está a destronar todo um antiquíssimo calendário, sem se questionar sobre a validade do conhecimento adquirido ou, pelo menos, sobre a forma como este lhe é apresentada.
- Mas issso é uma verdadeira tragédia, meu caro Albert. - disse Sócrates horrorizado - É muito mais terrífico do que viver como este incrédulo escravo que me acompanha na democratização do mundo. Daria tema para milénios de tragédias bem inseridas na tradição grega.
- Daria, sim senhor, mas esta é Lusitana, meu amigo. É uma verdadeira tragédia à lusitana. - respondeu o laureado físico, desintegrando-se logo de seguida por um buraco negro adentro até virar à esquerda no primeiro túnel do tempo que encontrou e sem sequer se despedir. Infantilidades da genialidade.
Derreado, de joelhos, colado ao negro e vulcânico solo de Atenas, Sócrates mais não disse e mais não fez do que beber. E assim tragou, de longo penalty, toda a garrafa de cicuta que trazia sempre consigo debaixo do braço.
Ninoligolepis, completamente desinteressado do fundo intelectualóide de toda a trágica questão, varreu os restos em pó do seu outrora Mestre para o balde das borras de café (incluindo umas longas e sedosas barbas que ninguém garante que não as tenha nunca deixado crescer) e, muito livre e carregado de ganas do saber, partiu para Alexandria para ir ler qualquer coisa à biblioteca, levando consigo apenas a ideia de que se não houvesse por lá ainda nenhuma, seria de muito bom tom fundar uma.
O clima continuava ameno, tal como por toda a Grécia, especialmente nestas soalheiras e primaveris tardes de domingo.
FIM
Pensava os números; não em formatos banais, tal como faria o mais comum dos mortais ao deslocar-se ao mercado, à mercearia, aos jogos em Olímpia ou à carpintaria. Pensava os números só pelos números: algarismos, algoritmos, estranhos quadrados com raízes, catetos de hipotenusas, enfim, contava as pérolas de ostras dos porcos ou cabeças de outras criaturas, magros minotauros, sagitários ou medusas. Tudo lá no alto, bem lá no cimo, onde só imperam as ideias, sendo o restante uma brincadeira de miúdos, sacanagens da canalha ou desvarios dos já graúdos.
Contudo, de raros tempos a tempos pouco usuais, lá o pensador se quedava de abandonar o ideal copo de cicuta que tomava logo pela ideia de manhã, para se fazer representar através da desgostosidade do seu porco corpo imundo ao mundo dos ainda mais imundos, pelo menos na sua porcaria de ideia ou, antes se diga, ideia de porcaria.
Assim, seguro e natural, se foi acercando lentamente de um daqueles “a-cidadãos” que o não viam nunca ou que, pelo menos e melhor, tinham vontades e razões para o não quererem ver e ganas diversas de o pontapear, com o básico intuito de se bater por uma nova ideia, e dizendo-lhe de rajada:
- Ouve lá, ó escravo imundo, ó rato foribundo, ó fruto nauseabundo desta democracia abissal; se eu te pedisse um número, um simplessíssimo número, começarias por que número, hã, por qual ?
Distraído com os seus afazeres, e por se encontrar de costas também, respondeu o escravo Ninoligolepis de Mileto com algum desdém:
- Se parares de falar em verso, de rima pobre e métrica curta, e pudermos ter uma conversa normal como o fazem as pessoas normais, será então normal que eu te queira e possa responder.
- Combinado! - disse Sócrates, enquanto esfregava já as mãos de grande contentamento e aprestando-se para repetir a pertinente questão:
- Por que número começas a contar?
- Por um - respondeu o escravo, abanando a cabeça em sinal de reprovação e revirando os olhos de aborrecimento.
- E se tiveres de contar dez objectos, em que número terminas a contagem? - continuou o filósofo das ideias.
- Depende. - disse trocista o escravo Ninoligolepis - São objectos reais na tua representação ideal, ou objectos ideais na minha representação real?
Agarrando suas longas barbas (essas que ninguém garante que não as tenha nunca deixado crescer) com ambas as mãos e começando a fazer pequenas tranças como forma de disfarçar o seu indisfarçável nervosismo, Sócrates sussurrou pausadamente ao ouvido do seu "não-concidadão":
- Se não respondes sem rodeios às perguntas que te estou a fazer, vais de Olímpia a Maratona sempre a bom correr, até que te saiam os pulmões pelos nós dos dedos dos pés, porque aqui na Grécia tudo pode acontecer.
- Ai isso não, mestre, isso é que não. - implorou temeroso o pobre escravo - que são quarenta e dois mil cento e sessenta e tal metros de grande sofrer. Peço-te! Bombardeia-me de novo com a tua preciosa questão.
Então, mais satisfeito, o filósofo repetiu:
- Se tiveres de contar dez objectos, em que numero terminas a contagem?
- Em dez. - disse Ninoligolépis com rápido cálculo mental.
- E se tiveres de contar cem objectos, em que número terminas a contagem? - perguntou de novo Sócrates semicerrando a pálpebra do olho direito, desviando ligeiramente a cabeça para o seu ombro esquerdo, ao mesmo tempo que impunha à boca um sorriso carregado de exagerada auto-estima e convencimento.
O bom escravo começava a impacientar-se mas, face à inumana ameaça do Mestre, lá acabou por responder:
- Em cem, mestre. Em cem.
Na cabeça de Sócrates iniciavam-se estranhos pensamentos respeitantes a tanta sabedoria contida na ideia de um escravo só, especialmente porque de um escravo fazedor de sandálias se tratava. Eram considerados os melhores trabalhadores mas também aqueles que padeciam de mais dores e dos piores odores. Horrores. Os cheiros dos suores nos cabedais enleados, as mãos calejadas e os cabelos empastados. Uns verdadeiros mal- -amados. Mas mais ainda havia de estranhar quando o escravo se lhe antecipou dizendo:
- E se eu continuar para poder contar outros cem objectos, irei prosseguir a contagem com o número cento e um, que é uma das mais belas e conhecidas capicuas.
- Ca-pi-cu-a! - silabou pausadamente o Filósofo de Atenas enquanto cofiava suas barbas e bigodes (essas que ninguém garante que não as tenha nunca deixado crescer). - Uma capicua - repetiu atónito.
Ainda rarefeito da incrível surpresa, Sócrates resolveu continuar a arreliar a mente do escravo, embora se encontrasse agora bastante renitente face à pré-concebida superioridade sentida sobre este. Resolveu, então, avançar para algarismos mais complexos, perguntando-lhe:
- Nino, - como carinhosamente gostava de chamar ao seu súbdito, quando se encontrava bem disposto ou mal disposto, variando apenas a entoação da melosidade para a ironia - Nino, em que número terminarias a dita contagem iniciada nessa lindíssima capicua de que ainda agora me falaste?
- Em duzentos ! - disse o escravo com prontidão.
Sócrates já transpirava. Ora suores frios, outras vezes chorava arrepios. Mas muito teimoso, como era de sua personalidade, resolvera não desarmar, continuando:
- Diz-me lá, se fores capaz, quantos anos tem um milénio ou dois deles juntos num conjunto?
O grego considerado socialmente de categoria menor, mas muito sábio, mantinha-se impávido e sereno, apenas exteriormente; na profundeza das suas vísceras, lá pelos espaços viscerais (e por estar a fazer saltar dos eixos todo o idealismo socrático), rejubilava. Sentia todos os outros astros que já se ouvia dizer rodarem em torno do Sol e de si mesmos, a pulularem em alvoroço dentro do seu peito e mente. Desta cósmica euforia interior, exteriorizou com facilidade a resposta a seu amo:
- Como o nome o indica, um milénio tem mil anos. Um conjunto de dois milénios, que consiste em mil mais mil anos ou mil anos vezes dois, é um conjunto de dois mil anos.
Baralhado, Sócrates encontrou apenas forças para questionar Ninoligolépis sobre em que ano se iniciaria o terceiro milénio. Já desfalecia quando, assistindo à subida triunfal para cima da mesa e ao pontapé (digno de um Eusébio) no alguidar das borras de café por parte do escravo, que comemorava assim de forma exuberante a vitória neste concurso de sabedoria, ouviu da boca deste a resposta inesperada e cantada em estilo musical Broadway:
- Em dois mil e ummmmmmmmmmmm !
Subitamente, nas costas de ambos os gregos, ouviu-se uma voz de homem, fina, introvertida, que roçava a timidez, mas apostando apaixonadamente desde logo:
- Dois mil e um, uma odisseia no espaço!
A estranha observação era proferida por Albert Einstein, físico do século vinte, laureado com o prémio Nobel dessa mesma categoria e que havia teorizado depois de muito pensar, a curvatura espacio-temporal que nos levaria a mais uma dimensão: dessas que nós comuns mortais, nunca imaginaríamos poder existir.
Posto isto, e perante a estúpida estupefacção de Sócrates, escravo das ideias e Ninoligolépis, amo das suas próprias mãos, Albert deitou a língua de fora, num momento que fotograficamente haveria de correr este mundo e os outros, apesar de a câmara fotográfica ainda não ter sido descoberta por esta altura dos campeonatos, ou melhor dizendo, das olimpíadas, ripostando:
- Estranhariam, vocês, meus pobres e caros colegas, devotados ao exercício da razão e das ideias, se como eu possuíssem a faculdade de no tempo viajar. - e aqui sentou-se e pediu aos seus compinchas que também o fizessem, para logo continuar - Veriam estranhos acontecimentos, diabólicos eventos, irracionalidades para atingir intentos; através da televisão, a vistosa comemoração, do novo milénio a chegada ou não.
Sem compreenderem bem as equações em verso e número do Alemão, reclamaram-lhe em coro, grego, caídos de queixo tocando o peito e de baba escorrendo ao umbigo:
- Explica-te melhor, ó sábio amigo, porque nos sentimos muito pequenos perante a intemporalidade da tua sabedoria.
E Einstein, com palavras mansas e de compaixão, explicou:
- Lá no ainda tão distante século vinte, em nome de uma macabra e animalesca audiência televisiva, a chegada do terceiro milénio será comemorada com um ano de antecedência. O povo comemorará, saltando em danças e lambanças, com mais vigor do que nunca e sem se aperceber que está a destronar todo um antiquíssimo calendário, sem se questionar sobre a validade do conhecimento adquirido ou, pelo menos, sobre a forma como este lhe é apresentada.
- Mas issso é uma verdadeira tragédia, meu caro Albert. - disse Sócrates horrorizado - É muito mais terrífico do que viver como este incrédulo escravo que me acompanha na democratização do mundo. Daria tema para milénios de tragédias bem inseridas na tradição grega.
- Daria, sim senhor, mas esta é Lusitana, meu amigo. É uma verdadeira tragédia à lusitana. - respondeu o laureado físico, desintegrando-se logo de seguida por um buraco negro adentro até virar à esquerda no primeiro túnel do tempo que encontrou e sem sequer se despedir. Infantilidades da genialidade.
Derreado, de joelhos, colado ao negro e vulcânico solo de Atenas, Sócrates mais não disse e mais não fez do que beber. E assim tragou, de longo penalty, toda a garrafa de cicuta que trazia sempre consigo debaixo do braço.
Ninoligolepis, completamente desinteressado do fundo intelectualóide de toda a trágica questão, varreu os restos em pó do seu outrora Mestre para o balde das borras de café (incluindo umas longas e sedosas barbas que ninguém garante que não as tenha nunca deixado crescer) e, muito livre e carregado de ganas do saber, partiu para Alexandria para ir ler qualquer coisa à biblioteca, levando consigo apenas a ideia de que se não houvesse por lá ainda nenhuma, seria de muito bom tom fundar uma.
O clima continuava ameno, tal como por toda a Grécia, especialmente nestas soalheiras e primaveris tardes de domingo.
FIM
segunda-feira, 30 de março de 2009
Gostar de Alguem
Não é difícil gostar de alguém , mas quando se gosta , gosta-se e pronto, não há nada a fazer. Pensamos na pessoa o dia todo e olhando para o tecto perguntamos-nos onde estará a outra pessoa naquele exacto momento em que pensamos nela. - "Onde estás?" - Ontem pensei em ti, hoje também , ainda agorinha mesmo estava a pensar em ti, e andamos nisto. Gostamos de alguém , não perguntem agora porquê porque mesmo que vos quisesse dizer nunca saberia a resposta. Eu não sei o porquê! As pessoas gostam de saber porque diacho gostamos nós de alguém e isto não é fácil de explicar. Convenhamos: "Vi-a uma vez ou duas , o que não é muito eu sei, mas porque raio tem de existir uma regra que implica vermos mais do que uma vez alguém para sabermos que gostamos dela?". E depois, alguns puritanos perguntam-nos: -"Ai sim, gostas dela, então de que cor são os olhos dela? Como é que ela se chama?" Como se ao não sabermos responder a qualquer uma das perguntas ficasse assim provado que não gostávamos desse alguém . Mentira. Quando se gosta quer-se que a pessoa de quem gostamos seja nossa, como se fosse um direito. E se estiver escrito no diário da republica tanto melhor. algo como " Declaramos para os devidos efeitos que a jovem etc. e tal é propriedade de Fernando Alvim , sua e apenas sua, seu grande malandro!". As coisas infelizmente não são assim e já ninguém é de ninguém , já ninguém dá a mão, na melhor das hipóteses faz-se um "leasing", arrenda-se a mão ou coisa do género . Não gosto nada disto. O que eu gostava mesmo era de lhe perguntar: de quem são essas mãos e ela dizer " - São tuas!" De quem é essa boca? e ela responder " - É Tua!" De quem é esse cabelo? " - É teu!" Contudo as defesas apoderam-se de nós , sentimos o ritmo cardíaco a aumentar e "-Ai a minha vida a andar para trás ", estamos com aquela pessoa de quem tanto gostamos e pensamos " não lhe posso mostrar que gosto já dela, senão está tudo estragado!" temos oportunidade de estarmos juntos logo naquele dia e "-Ai que isto não é bem assim" Talvez por isso eu não percebo este amor que pensa e reflecte . O amor, a paixão, o desejo - todos parentes próximos da mesma família não pensam muito, porque não existe uma lógica , uma norma a seguir, um " agora temos de ir ao cinema, jantar, teatro, exposição" e " vê lá o que está a dar na televisão !?" e " olha que eu não sou dessas" e ainda dez mensagens por dia! Para mim basta-me saber que gosto - e gosto - e perceber que o meu corpo responde por mim - e responde. Não tem de haver pressa! - dizem alguns. Não têm??? ai não, que não tem!!! O desejo não me parece ser algo tranquilo, é exactamente o contrário, é stressadinho , fuma cigarro atrás de cigarro - saia da frente que tenho pressa! - o desejo buzina ao cair do semáforo verde, é taxista em hora de ponta - saia daí senhor! - quer passar à frente de todos tipo Chico espertos tem urgência em chegar, quer ser rápido para se manifestar junto de quem gosta. Quando gosto de alguém , não quero saber se aquele ou o outro acredita nisso, não me interessa até perceber se ela própria acredita. O que interessa mesmo é que eu sabia disso e sei - é que eu acredite - e acredito - e que seja verdade - verdadinha!!!!!!!!!
Escrito por Fernando Alvim no Jornal O metro !
Escrito por Fernando Alvim no Jornal O metro !
domingo, 29 de março de 2009
Já não sei
Não consigo escrever ou fazer o que quer que seja e dizer que está perfeito, simplesmente para mim, nada está completo, nem está extremamente bom, “Já não sei” é o exemplo, nunca foi aquela letra para uma musica que eu achasse divinal, nem muito perto disso, e embora não tenha sido a minha primeira musica, foi sem duvida a primeira a que levei para os palcos, trás muitas histórias, e mais uma vez, leva pedaços de mim!
“Ouço a noite
não quero mais
vejo o nada de que fui capaz
tento erguer-me
ficar de pé
talvez fugir sem voltar a trás
algures alguém chama por mim
perdi de vista o olhar que me encantou
sussurro ao vento, onde foi que o tempo parou
nada do que vi foi real
nada do que eu senti foi banal
foi uma ilusão e acreditei
o que é agora já não sei…
Puxo um cigarro uma palavra
um olhar quente num rosto sem cor
a voz rouca tentando dizer
os poemas que sabia de cor
amanha será sempre igual
um outro dia uma outra vontade
um faz de conta, sem sentido
sem coragem sem verdade”
“Ouço a noite
não quero mais
vejo o nada de que fui capaz
tento erguer-me
ficar de pé
talvez fugir sem voltar a trás
algures alguém chama por mim
perdi de vista o olhar que me encantou
sussurro ao vento, onde foi que o tempo parou
nada do que vi foi real
nada do que eu senti foi banal
foi uma ilusão e acreditei
o que é agora já não sei…
Puxo um cigarro uma palavra
um olhar quente num rosto sem cor
a voz rouca tentando dizer
os poemas que sabia de cor
amanha será sempre igual
um outro dia uma outra vontade
um faz de conta, sem sentido
sem coragem sem verdade”
sábado, 28 de março de 2009
A emergência da escarrologia como ciência
Seja no sofrido e discriminador aperto transpirado no interior duma castradora burqa, hoje recuperado em todo o seu fundamentalismo pelos talibãs cegados no orgulho islâmico, ou seja pela desmedida educação na imoralidade que conduz ao desnudar pornográfico dos corpos cotados no mercado e tão banalizada na América das falsas oportunidades de escolha, seja ainda no terror do descrédito dado à vida em nome de um ideal construído sob uma confusa miscelânea de emoções guerrilheiras extraídas duma leitura extremada do verbo do al-Kuran, ou seja na anedótica e pretensiosa vontade de condenar as mentes e os sonhos de todos os povos ao modo de vida de um império decadente que chafurda na própria imoralidade dos meios justificativos para esses podres fins que assim se tornaram na mais torta das escritas caligrafadas sobre as linhas direitas traçadas por Cristo, todas as mulheres e todos os homens deste enigmático planeta – na irresponsabilidade ou, quem sabe, na incerteza, no medo ou na avara indiferença – respiram e engolem o escarro das civilizações. Por tal facto se fez de extrema urgência clarificar algumas noções e conceitos respeitantes àquilo que é ou que pode vir a ser o escarro de hoje em dia, especialmente porque (e aqui nas paredes do jornal pégaso ou nos muros lamentáveis do resto do mundo, isso é bem visível) ele há escarros e há escarros. Assim sendo, nesta forma um pouco deformada e originalmente marginal de olhar para o mundo, se aproveitou este triste cronista que tanto amais, da recentíssima obra do vosso conhecido Doutor Araújo Mil Acres, para o referido desmanchar de duvidosas confusões. Logo no prefácio ao livro A emergência da escarrologia como ciência, diz-nos o mais famoso escarrólogo do mundo (que por sinal é também o único) que urge a inserção da escarrologia no sistema das ciências, dado que neste ainda não existe disciplina que, situando-se por baixo das demais, digamos, na coberta do navio da cientificidade, e assim estando à margem das margens onde se pesca o conhecimento, possa fazer a distinção entre o escarro progressista e o escarro conservador. Algumas páginas ainda mais abaixo, avança-nos Mil Acres com uma breve mas iluminada trovoada conceptual: que se o escarro progressista é – apesar de toda a pestilência que o envolve – simbólico, e, por isso mesmo, apenas das esferas literárias, sendo de cunho construtivista e humanizante, já o escarro conservador é uma pasta viral que, se embrenhada na realidade do sujeito que o bebe ou cospe, desumaniza até ao tutano e destrói, tanto o sujeito cuspidor como o sujeito cuspido, ou ainda, o sujeito que é simultaneamente produtor e produto dos reais verdes cuspos. Quis o autor, adiante, teorizar estas duas noções: escreveu então que o escarro do progresso – aquele que se dado nos olhos faz ver – é de perspectiva e projecção ascendente, ou seja, o escarrólogo que o promove, tendo descido às camadas mais esgotadas da civilização (de esgoto, entenda-se), discerne perfeitamente sobre o nível de pestilência de um fenómeno, processo a que os outros cientistas não se encontram aptos. Então, adentrando sabiamente a esfera do objecto que acatarradamente já em bolores padece, ou o mata logo ali com a valente chinelada da práxis ou, pela via paternal e regeneradora, nele se envolve e, conhecendo-o agora de ginjeira, o envia ao expedidor com aviso de recepção. Este, de volta ao mundo dos vivos com a tal surpresa regeneradora, já não consegue retorquir com os escarros descendentes que outrora o caracterizavam e que, resumidamente se diga, funcionam exactamente no processo inverso ao acima descrito. Face à indubitável complexidade das revolucionárias noções apresentadas pelo Doutor Araújo, quis este vosso amigo tomar-se de exageradas liberdades e, à luz dos mais recentes escarros conservadores com que o mundo se viu empestado, exemplificar estas e abrir perspectivas para o primeiro capítulo da obra que aqui tratamos, intitulado o paradigma da pestilência. Este paradigma, aceite mundialmente por maioria na comunidade científica e vigorando na construção das leis que nos regem a todos, assim se denomina face à supremacia instituída do escarro conservador, desumano e descendente sobre o escarro progressista, construtivo e ascendente. Assim, e tão longe da inatingível verdade, se julgam estes escarros de formatos diferentes, tanto os que possuem o desenho de aeronaves e que destroem torres gémeas, como os que, transformados em mísseis de longo alcance, caem cirurgicamente em hospitais e vilas; tanto os risos felizes e as danças jubilosas face aos soterrados de Nova Iorque, como as muitas minas vendidas a África e que põem a andar numa perna só os povos a quem há já muito cortaram as duas; e tanto a plantação da papoila, o crescer do ópio e o florescer do cavalo pela montanha afegã, como a negação em reduzir os índices da poluição que não deixarão aos nossos filhos o espaço para aprenderem a plantar, saberem ver- -se a crescer ou amarem os odores do florescer. E se nos educaram, em face de fenómenos de tal pestilenta dimensão, a cegar perante as semelhanças e a desejarmos, inconscientemente, que entre eles sejam visíveis e classificáveis as diferenças que afinal não existem – apesar de terrorismo e policiamento não serem mais que nomenclaturas diferentes para um mesmo escarro – é porque o paradigma da pestilência pulula de neurónio em neurónio no cérebro do mais comum dos portadores do senso (in)comum. Mil Acres aponta ainda no final deste capítulo (e mais que isto não escreverei para que o leitor – como se tal fosse possível ! – não perca o apetite pela fenomenal obra) a alternativa ao paradigma da pestilência: o denominado paradigma do sul. E sobre este paradigma, que se quer urgentemente difundido pelo senso dos mais comuns terrestres, diz-nos o filósofo do escarro que está em formação desde o século oitavo do calendário cristão, mais propriamente com a chegada dos árabes à Península Ibérica, lá pelo ano de setecentos e onze. Esse gérmen da plausibilidade – mais ainda incrementado com as expansões e descobertas do século dezasseis – desenvolve-se na peitaça e por debaixo das unhas de alguns descendentes do velho povo lusitano: de todos os que se sabem parte da benéfica miscigenação cultural que, simultaneamente, nos pautou com a brandura das palavras e com a aspereza dos costumes; de todos os que se elevaram acima dos deuses e, com o distanciamento emocional que permite assimilar ao invés de decorar, bebem Maomé num copo de tinto e jejuam no aniversário de Cristo; de todos os que se apaixonaram pelo embalar do cante alentejano e, no arabismo desses gerúndios cantados, plantaram o alaúde de Abou Kalil em campos de algodão chicoteado e mondaram os blues do Robert Johnson na aridez das guerreiras areias árabes; de todos os que se encantaram com as letras e, agradecendo à metáfora sem políticas aduaneiras, viajaram com Sherazade pelas planícies americanas e pernoitaram mil e uma noites nos haréns do Kerouac; e de todos os que progressivamente escarram na intolerância e na incompreensão e que, se umas vezes se refrescam na coca-cola acomodando-se à túnica, noutras saboreiam os incêndios do chá trajando fato, assim fomentam o emergir deste paradigma do sul. Deste modo, apetece pedir ao mundo imundo que, antes de escarrar na própria água que bebe, pense bem a natureza da matéria peçonhenta que projecta, e possa agradecer tanto aos árabes a viagem de Aristóteles até à modernidade, como aos americanos o ideário da revolução francesa que nos fez.
Lembrar para não esquecer...
Assoprei o pensamento triste
E sorri, sorri como o fazem as arvores nos primeiros dias de primavera,
Mas instável como eu, o vento trouxe de volta os pensamentos.
Deixei escorrer uma lágrima, mas não a ultima…
Contei até vinte e corri para a Janela, não vi pardais,
Voltei a contar e fechei os olhos, abri a Janela apenas saudade…
Mas não desisti, procurei a tal luz e não a vi!
Encontrei-te apenas e jubilante fiquei,
Coloquei-te no meu peito e enchi-me de ar, para que todos possam ver,
Esta nova amiga que me enche o coração!
Juntei poesia, a essência da minha amizade e claro, uma pitada de amor que soprei docemente com os lábios numa simples aragem quente e doce…
E se isto a fizer sorrir, o meu brilho será visto de todo o Universo, com a intensidade não do meu sorriso mas sim pela sua capacidade de me fazer sorrir.
E se a felicidade for o limite e o Paraíso sou eu que faço, se hoje conseguir ser feliz, não me acordes ou simplesmente mata-me já aqui!
E sorri, sorri como o fazem as arvores nos primeiros dias de primavera,
Mas instável como eu, o vento trouxe de volta os pensamentos.
Deixei escorrer uma lágrima, mas não a ultima…
Contei até vinte e corri para a Janela, não vi pardais,
Voltei a contar e fechei os olhos, abri a Janela apenas saudade…
Mas não desisti, procurei a tal luz e não a vi!
Encontrei-te apenas e jubilante fiquei,
Coloquei-te no meu peito e enchi-me de ar, para que todos possam ver,
Esta nova amiga que me enche o coração!
Juntei poesia, a essência da minha amizade e claro, uma pitada de amor que soprei docemente com os lábios numa simples aragem quente e doce…
E se isto a fizer sorrir, o meu brilho será visto de todo o Universo, com a intensidade não do meu sorriso mas sim pela sua capacidade de me fazer sorrir.
E se a felicidade for o limite e o Paraíso sou eu que faço, se hoje conseguir ser feliz, não me acordes ou simplesmente mata-me já aqui!
Um Monstro que precisa de um Amigo!
Manel Cruz é o seu nome, fugitivo a si mesmo se chama. Com 32 anos feitos é uma marca na música nacional com as suas composições fora do vulgar, por uma voz orgásmica e pela sua instabilidade mental e a incapacidade de se manter activo numa formação musical. Falamos da voz/compositor de Ornatos Violeta, Pluto, Supernada e mais alguns projectos inacabados, podemos também ouvi-lo numa música de Da Weasel entre outras mais coisas. Criador de músicas como “Ouvi Dizer”, “Chaga”, “Punk Moda Funk”, para quem não conhece e se conseguir habituar ao seu estilo de som é algo que aconselho vivamente, pois as suas letras e composições agarram-me de uma forma estranha como se fosse uma sanguessuga agarrada às minhas orelhas.
Termino agora, deixando a letra de uma das suas músicas de título “Letra S”.
Letra S
Quero ser só, Quero ter só algo mais, Que eu nada sou sem companhia. Diz-me quem eu sou como se o não fosse. A rua quebra-me a força negativa. Sorrir, Não é pêra doce! Diz-me quem eu sou como se o não fosse.
Matei o monstro da monogamia, e a minha vida parou na letra S.
Termino agora, deixando a letra de uma das suas músicas de título “Letra S”.
Letra S
Quero ser só, Quero ter só algo mais, Que eu nada sou sem companhia. Diz-me quem eu sou como se o não fosse. A rua quebra-me a força negativa. Sorrir, Não é pêra doce! Diz-me quem eu sou como se o não fosse.
Matei o monstro da monogamia, e a minha vida parou na letra S.
sexta-feira, 27 de março de 2009
Ary dos Santos (1937-84)
Apresento-vos Ary dos Santos,
Poeta português, natural de Lisboa. Saiu de casa aos 16 anos, exercendo várias actividades como meio de subsistência. Revelando-se como poeta com a obra Asas (1953), publicou, em 1963, o livro Liturgia de Sangue, a que se seguiram Azul Existe, Tempo de Lenda das Amendoeiras e Adereços, Endereços (todos de 1965). Em 1969, colaborou na campanha da Comissão Democrática Eleitoral e, mais tarde, filiou-se no Partido Comunista Português, tendo tido uma intervenção politizada, mas muito pessoal. Ficou sobretudo conhecido como autor de poemas para canções do Concurso da Canção da RTP. Os seus temas «Desfolhada» e «Tourada» saíram ambos vencedores. Em 1971, foi atribuído a «Meu Amor, Meu Amor», também da sua autoria, o grande prémio da Canção Discográfica. Declamador, gravou os discos «Ary Por Si Próprio» (1970), «Poesia Política» (1974), «Bandeira Comunista» (1977) e «Ary por Ary» (1979), entre outros. Publicou ainda os volumes Insofrimento In Sofrimento (1969), Fotos-Grafias (1971), Resumo (1973), As Portas que Abril Abriu (1975), O Sangue das Palavras (1979) e 20 Anos de Poesia (1983). Em 1994, foi editada Obra Poética, uma colectânea das suas obras. Personalidade entusiasta e irreverente, muitos dos seus textos têm um forte tom satírico e até panfletário, anticonvencional, contribuindo decisivamente para a abertura de novas possibilidades para a música popular portuguesa. Deixou cerca de 600 textos destinados a canções.
Em seguida deixo dois poemas que adoro e que vos deixo,
Instante
“Nunca mais me lembrei que a morte vinha,
Nunca mais me lembrei que era da vida,
E que a vida me havia de vender.
E pequei,
E sonhei,
E sorri,
Sem me lembrar que a morte vinha,
Negra e cruel,
A mostrar-me a ventura que eu não tinha,
Numa taça de mel.
Nunca mais me lembrei que a morte vinha,
E ri,
E ri,
E ri perdidamente.
Nunca mais me lembrei que a morte vinha
Com suas mãos, serenas de marfim
Cerrando o meu olhar que já não via;
Nunca mais me lembrei que a morte vinha
E vivi,
Vivi, como vivem as aves e as estrelas.
Mas quando me lembrei que a morte vinha
E quando a pressenti,
Fantástica e medonha,
Com um manto todo negro
E umas asas desmedidas
A escurecerem o céu...
Mas quando me lembrei que a morte vinha,
Ah! Quando me lembrei que a morte vinha!
... Foi nesse instante que morri.”
Poeta castrado não!
“Serei tudo o que disserem
por inveja ou negação:
cabeçudo dromedário
fogueira de exibição
teorema corolário
poema de mão em mão
lãzudo publicitário
malabarista cabrão.
Serei tudo o que disserem:
Poeta castrado não!
Os que entendem como eu
as linhas com que me escrevo
reconhecem o que é meu
em tudo quanto lhes devo:
ternura como já disse
sempre que faço um poema;
saudade que se partisse
me alagaria de pena;
e também uma alegria
uma coragem serena
em renegar a poesia
quando ela nos envenena.
Os que entendem como eu
a força que tem um verso
reconhecem o que é seu
quando lhes mostro o reverso:
Da fome já não se fala
- é tão vulgar que nos cansa -
mas que dizer de uma bala
num esqueleto de criança?
Do frio não reza a história
- a morte é branda e letal -
mas que dizer da memória
de uma bomba de napalm?
E o resto que pode ser
o poema dia a dia?
- Um bisturi a crescer
nas coxas de uma judia;
um filho que vai nascer
parido por asfixia?! -
Ah não me venham dizer
que é fonética a poesia!
Serei tudo o que disserem
por temor ou negação:
Demagogo mau profeta
falso médico ladrão
prostituta proxeneta
espoleta televisão.
Serei tudo o que disserem:
Poeta castrado não!”
Espero que gostem…
Poeta português, natural de Lisboa. Saiu de casa aos 16 anos, exercendo várias actividades como meio de subsistência. Revelando-se como poeta com a obra Asas (1953), publicou, em 1963, o livro Liturgia de Sangue, a que se seguiram Azul Existe, Tempo de Lenda das Amendoeiras e Adereços, Endereços (todos de 1965). Em 1969, colaborou na campanha da Comissão Democrática Eleitoral e, mais tarde, filiou-se no Partido Comunista Português, tendo tido uma intervenção politizada, mas muito pessoal. Ficou sobretudo conhecido como autor de poemas para canções do Concurso da Canção da RTP. Os seus temas «Desfolhada» e «Tourada» saíram ambos vencedores. Em 1971, foi atribuído a «Meu Amor, Meu Amor», também da sua autoria, o grande prémio da Canção Discográfica. Declamador, gravou os discos «Ary Por Si Próprio» (1970), «Poesia Política» (1974), «Bandeira Comunista» (1977) e «Ary por Ary» (1979), entre outros. Publicou ainda os volumes Insofrimento In Sofrimento (1969), Fotos-Grafias (1971), Resumo (1973), As Portas que Abril Abriu (1975), O Sangue das Palavras (1979) e 20 Anos de Poesia (1983). Em 1994, foi editada Obra Poética, uma colectânea das suas obras. Personalidade entusiasta e irreverente, muitos dos seus textos têm um forte tom satírico e até panfletário, anticonvencional, contribuindo decisivamente para a abertura de novas possibilidades para a música popular portuguesa. Deixou cerca de 600 textos destinados a canções.
Em seguida deixo dois poemas que adoro e que vos deixo,
Instante
“Nunca mais me lembrei que a morte vinha,
Nunca mais me lembrei que era da vida,
E que a vida me havia de vender.
E pequei,
E sonhei,
E sorri,
Sem me lembrar que a morte vinha,
Negra e cruel,
A mostrar-me a ventura que eu não tinha,
Numa taça de mel.
Nunca mais me lembrei que a morte vinha,
E ri,
E ri,
E ri perdidamente.
Nunca mais me lembrei que a morte vinha
Com suas mãos, serenas de marfim
Cerrando o meu olhar que já não via;
Nunca mais me lembrei que a morte vinha
E vivi,
Vivi, como vivem as aves e as estrelas.
Mas quando me lembrei que a morte vinha
E quando a pressenti,
Fantástica e medonha,
Com um manto todo negro
E umas asas desmedidas
A escurecerem o céu...
Mas quando me lembrei que a morte vinha,
Ah! Quando me lembrei que a morte vinha!
... Foi nesse instante que morri.”
Poeta castrado não!
“Serei tudo o que disserem
por inveja ou negação:
cabeçudo dromedário
fogueira de exibição
teorema corolário
poema de mão em mão
lãzudo publicitário
malabarista cabrão.
Serei tudo o que disserem:
Poeta castrado não!
Os que entendem como eu
as linhas com que me escrevo
reconhecem o que é meu
em tudo quanto lhes devo:
ternura como já disse
sempre que faço um poema;
saudade que se partisse
me alagaria de pena;
e também uma alegria
uma coragem serena
em renegar a poesia
quando ela nos envenena.
Os que entendem como eu
a força que tem um verso
reconhecem o que é seu
quando lhes mostro o reverso:
Da fome já não se fala
- é tão vulgar que nos cansa -
mas que dizer de uma bala
num esqueleto de criança?
Do frio não reza a história
- a morte é branda e letal -
mas que dizer da memória
de uma bomba de napalm?
E o resto que pode ser
o poema dia a dia?
- Um bisturi a crescer
nas coxas de uma judia;
um filho que vai nascer
parido por asfixia?! -
Ah não me venham dizer
que é fonética a poesia!
Serei tudo o que disserem
por temor ou negação:
Demagogo mau profeta
falso médico ladrão
prostituta proxeneta
espoleta televisão.
Serei tudo o que disserem:
Poeta castrado não!”
Espero que gostem…
quinta-feira, 26 de março de 2009
Vendedor de Passados
"Antigamente todos os contos para crianças terminavam com a mesma frase, e foram felizes para sempre, isto depois de o Príncipe casar com a Princesa e de terem muitos filhos. Na vida, é claro, nenhum enredo remata assim. As Princesas casam com os guarda-costas, casam com os trapezistas, a vida continua, e os dois são infelizes até que se separam. Anos mais tarde, como todos nós, morrem. Só somos felizes, verdadeiramente felizes, quando é para sempre, mas só as crianças habitam esse tempo no qual todas as coisas duram para sempre. José Eduardo
Agualusa, in 'O Vendedor de Passados'
Agualusa, in 'O Vendedor de Passados'
Simplesmente Genial - Poema de um dia!
Tipografia experimental foi o nome que Jiyeon Song deu ao seu trabalho, e na verdade podemos vê-lo assim, como uma exploração poética de mensagens escritas que interagem com o ambiente. O sistema concebido por Song é engenhoso. Ao serem atravessados pelos raios de sol, os painéis perfurados projectam pontos luminosos que formam palavras na sombra do chão. A variação da incidência solar consoante a hora do dia e a estação do ano dá origem a combinações poéticas inesperadas e transitórias. A Arte une o Homem e a Natureza.
Se há uma virtude nesta obra é a de nos obrigar a tomar consciência da passagem do tempo. E fá-lo de uma maneira poética. Não é possível olhar para ela como para um quadro num museu, com o catálogo na mão. É necessário perder tempo, esperar. Então poderemos ver as palavras a surgirem, a percorrer o chão, a juntarem-se e a formar frases que logo mudam e adquirem novos sentidos conforme o sol roda.Escondidos nos furos da madeira, pequenas frases de um poema sijo aguardam que a luz solar as revele. Os sijo são poemas tradicionais coreanos versando a Natureza e a vida humana. O escolhido e traduzido para inglês foi escrito por Kim Ch'on-taek no século XVIII. Fala sobre o carácter finito da vida humana: no solstício do Verão uma frase sobre a vida nova que surge; no do Inverno sobre o tempo que passa.
A lentidão das mensagens oferece-nos um momento de meditação nas nossas vidas agitadas, um momento de meditação sobre os valores da Vida.




segunda-feira, 23 de março de 2009
...
“Quero vibrar de emocoes quero transbordar alegrias e chorar de arrepios. Quero sentir o vento e o correr dos meus dias. Quero voar e respirar, e cheio de força sentir-me livre!”
Outra vez, sff
Perco-me num labirinto de calçadas gastas que se deixam partir pelas raízes que crescem das pequenas memórias que plantámos pelo caminho, também elas seguindo o seu caminho e travando cada passo meu em linha recta, nada. Terra crescendo das flores, um círculo de ar no meio do sol sobre o vazio das nossas cabeças...
Por favor, Mata-me Outra Vez...
Por favor, Mata-me Outra Vez...
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